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Metodologia

O sucesso da EFR esta baseado na Pedagogia de Alternância que é uma alternativa para a Educação no campo e consiste em alternar “períodos de duas semana com horário completo de aulas tradicionais e duas semanas de aplicação supervisionada dos conhecimentos na propriedade familiar”. Esse processo permite que o aluno aprenda técnicas que serão úteis para a vida no campo e as coloque em prática no convívio familiar. A escola se volta para a realidade local, se adequando a necessidade dos alunos ficarem na propriedade com sua família.

Os 4 pilares da metodologia da alternância

Os 4 pilares da metodologia da alternância são:

1. Associação das famílias: a EFR deve ser gerida por uma associação dos pais;

2. Uma formação integral: ensino não só técnico profissional mas contempla todas as aulas obrigatórias do ensino clássico e permite um acompanhamento individualizado do aluno;

3. A alternância: alternar os momentos de formaç
ão (meio escolar e socio-profissional) colocando os trabalhos práticos na machamba;

4. Desenvolvimento do meio: as aulas estão baseado na realidade no qual vive o aluno.

Os instrumentos da  metodologia da alternância

A metodologia de alternância é bastante exigente e contem diferentes instrumentos pedagógicos que as EPFRs precisam dominar e respeitar, nomeadamente:

Plano de Formação: proposta de transversalidade dos conteúdos da formação geral e profissional integrada com a realidade ou é o cartão de visita de uma EFR, onde se ilustra o rumo que a escola quer caminhar, onde ela quer chegar, respondendo os anseios e as necessidades reais dos alunos, suas famílias, comunidades e região;

Plano de Estudo: o ano escolar se desenvolve ao longo de 10 meses (quer dizer: 10 vezes 2 semanas na sala de aulas). Para planificar esse tempo a EPFR desenvolve o plano incluindo 10 temas centrais (como por exemplo: a minha família e sua machamba, as associações, os solos da nossa machamba e o meio ambiente, as produções agro-pécuarias da região, a saúde da comunidade, etc.), e na base desse tema central são desenvolvidas todas as disciplinas, não apenas as técnicas mas também as gerais através de uma pesquisa compartilhada;

Caderno da Realidade e da Alternância: cada aluno, em cada alternância (no meio escolar ou socio-profissional) é obrigado a fazer anotações de situações ou das questões encontradas dia por dia, também qual é o trabalho que ele fez nesse tempo. Os pais assinam esse caderno da realidade;

Colocação em Comum: quando os alunos voltam à escola depois das 2 semanas de casa, cria-se uma sessão onde participam todos os alunos e a maioria dos professores para uma posterior socialização das ideias de cada um. Em este convívio ou sessão que ajuda o aluno a expressar-se perante os colegas ou varias individualidades, também vai descrever o que aprendeu aos seus colegas, que depois questionarão discutindo as conclusões atingidas. O aluno faz depois um resumo da partilha de ideias no Caderno da Realidade;

Tutorias: é o acompanhamento personalizado. Os alunos são acompanhados e assessorados nas suas dúvidas pelos professores ou “tutores” das EPFR, isto acontece tanto na escola como na sua propriedade familiar, trata-se de uma atividade contínua. Com a tutoria torna fácil o processo de ensino-aprendizagem porque é daqui que se percebe a situação;

Visitas famílias: durante as duas semanas do meio socio-profissional (em casa) os alunos são visitados com seus professores com um intuito de reforço escolar, extensão rural e a responsabilização dos pais no processo de ensino-aprendizagem;

Projecto Profissional do Jovem (PPJ): projecto final onde o aluno, no fim dos seus estudos desenvolve uma ideia profissional sustentável aproveitando as experiências adquiridas na formação agro-pecuária.